As vinhas e o triângulo imaginário
Horácio Augusto Lourenço, plantou as primeiras vinhas na década de 80 e impulsionou as bases deste seu sonho. Jorge Miguel Graça Lourenço marca a segunda geração desenvolvendo a viticultura e criando os vinhos da “VINILOURENÇO” como a conhecemos nos dias de hoje. A maior parte das cotas está entre os 500 e os 650 m de altitude, na zona da Mêda, mas há parcelas a 200 m, junto ao Pocinho. As castas principais são a Viosinho, Rabigato, Verdelho e Malvasia Fina (brancas), e a Touriga Nacional, Tinta Roriz, Tinto Cão, Touriga Franca, Sousão e Tinta Barroca (tintas). A viticultura é sustentável e, para além das castas tradicionais do Douro, há também várias parcelas de castas antigas, para recuperar e preservar sabores do passado.
 
LOCALIZAÇÃO DAS VINHAS
As atuais vinhas que a empresa cultiva, totalizam cerca de 45 ha e estão dispersas por várias parcelas, que chegam a distar entre si mais de duas dezenas de quilómetros, nas freguesias do Poço do Canto, Meda, Vale da Teja e Pocinho. Este facto tem o inconveniente de não permitir adotar o conceito de “Quinta” e de elevar, significativamente, os custos de produção, mas em contrapartida tem a enorme vantagem de dispor de vinhas com uma grande diversidade de condições ambientais, que permitem explorar as castas de forma muito criativa e produzir vinhos com os mais variados estilos. As cotas das vinhas variam entre os 160 e 650 m, tanto em terrenos de encosta com forte declive, como em zonas planálticas, levemente onduladas. Assim, há vinhas armadas em patamares de uma, duas ou mais filas de videiras, com orientações solares muito variáveis, e vinhas contínuas, planas ou de declive suave, com uma única exposição. Em consequência desta diversidade da paisagem, uma casta como a Touriga Nacional ou o Tinto Cão, pode ser vindimada na última semana de Agosto, nas zonas baixas muito quentes, junto ao rio, e na segunda ou terceira de Outubro, nas zonas mais altas com exposição norte. Os solos de origem xistenta – típicos do Douro – ocorrem nas zonas de cota mais baixa, junto ao rio Douro, na maior parte das zonas de cota intermédia e, ainda, em algumas cotas altas da freguesia do Poço do Canto. Os solos de transição, com origem no xisto e granito, e os de origem granítica – típicos da Beira – ocorrem nas zonas altas, já na fronteira do Douro com a Beira Interior, em terrenos que já pertencem ao Planalto Beirão. Os solos de origem xistenta, de maior fertilidade e menor acidez, têm maior capacidade de retenção de água e dão origem, em regra, a maiores produtividades, proporcionando menor stress hídrico às videiras em anos secos e quentes. Os solos de origem granítica, de menor fertilidade, dão origem a grandes vinhos, particularmente quando há ocorrência de alguma chuva em Setembro.
 
CASTAS
A diversidade de condições ambientais permite a exploração de uma grande diversidade de castas, que têm vindo a ser estudadas detalhadamente para a produção de diferentes estilos de vinho e, principalmente, para estudar os lotes de maior originalidade. As castas dominantes nas brancas são o Viosinho e o Rabigato, que têm um excelente comportamento nas vinhas de cotas mais altas. Além destas cultivam-se também a Malvasia-Fina, Gouveio, Moscatel Galego Branco, Fernão-Pires, Rabigato Moreno, Samarrinho e Donzelinho Branco. Entre as castas tintas dominam a Touriga-Nacional, Tinta-Roriz, Bastardo, Touriga-Franca, Sousão, Tinto-Cão e Tinta Barroca, todas elas cultivadas em cotas baixas e altas. Além destas castas ainda existe uma pequena parcela de Alicante Bouschet.
CASTAS ANTIGAS DO DOURO
Um dos projetos mais acarinhados pela empresa VINILOURENÇO é o da recuperação de castas antigas do Douro, que têm vindo a ser estudadas quanto ao seu comportamento vitícola em cotas altas (dado os estudos do Centro de Estudos vitivinícolas do Douro serem efetuados com castas plantadas em cotas baixas), e quanto ao seu comportamento enológico, mediante microvinificações em volumes de cerca de 30 litros. Para tal foi instalada uma coleção de 40 castas, 22 das quais brancas e as restantes tintas, na quinta do Cavalinho, a cerca de 500 m de cota. Todas as castas que revelam bom comportamento vitícola e enológico são plantadas em parcelas de 0,5 a 1 ha para darem origem a vinhos monovarietais para comercializar em pequenas quantidades. Já foram, deste modo, plantadas as castas Donzelinho Branco e Samarrinho, cujas colheitas de 2015 foram lançadas no mercado em 2016. Outra forma de estudar o comportamento de castas antigas tem sido através de protocolos estabelecidos com pequenos proprietários de vinhas velhas localizadas a cotas altas, onde são reconhecidas castas raras, cujas uvas são vinificadas em separado. Conseguiu-se, desta forma, selecionar já uma casta tinta com um comportamento enológico surpreendente, que já está plantada numa pequena parcela e em breve originará um vinho monovarietal.
VINHAS DA EMPRESA
Quinta do Grilo – Área 10 ha; Altitude mínima 560 m altitude máxima 600 m; Solo Xisto; Freguesia: Meda; Idade 2 anos (20%) 25 anos (80%); Castas Brancas: Rabigato, Gouveio, Malvasia Fina, Viosinho e Moscatel Galego; Castas Tintas: Tinta Roriz, Touriga Franca e Bastardo. Quinta do Cavalinho – 10 ha; Altitude Mínima 490 Metros Altitude máxima 570 m; Solo Xisto/Granito; Freguesia Poço do Canto; Idade 1 anos (30%) 5 anos (45%) 10 anos (25%); Castas Brancas: Rabigato e Viosinho; Castas Tintas: Touriga Nacional, Sousão, Tinto Cão, Bastardo e Tinta Barroca.
 
Vinhas DOC Douro